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October 12, 2015 13:34
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| [{ | |
| "content": ["<p>O <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/dolar_americano/a/\">d\u00f3lar</a> superou, nesta ter\u00e7a-feira, a temida barreira dos 4 reais, e atingiu sua maior cota\u00e7\u00e3o desde a cria\u00e7\u00e3o do Plano Real em 1994. \u00c0s 10h30, a moeda norte-americana tinha alta de 1,65% e era vendida a 4,0464 reais, refletindo a tend\u00eancia mundial de valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, mas tamb\u00e9m a <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/c/9ee51b56a07c53428c6e49c56b289628/\">crise pol\u00edtica</a> e econ\u00f4mica que o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/brasil/a/\">Brasil</a> atravessa. Na segunda-feira, a moeda fechou em alta de 3,980 reais, mas era vendida nas casas de c\u00e2mbio por mais de 4 reais.</p>", "<p>Nem as proje\u00e7\u00f5es mais pessimistas pressagiavam a atual forte desvaloriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar e a tempestade de m\u00e1s not\u00edcias que o Brasil enfrentaria em 2015. Desde o in\u00edcio do ano, a moeda norte-americana j\u00e1 acumula uma alta de quase 50% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 moeda brasileira.</p>", "<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com o rumo do pa\u00eds tem impulsionado a cota\u00e7\u00e3o da divisa. Atualmente, o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/dilma_rousseff/a/\">Governo de Dilma Rousseff</a> empreende uma pol\u00edtica de austeridade e um necess\u00e1rio, segundo muitos especialistas, ajuste nas maltratadas e endividadas contas p\u00fablicas. No entanto, h\u00e1 risco certo de que novas ag\u00eancias de qualifica\u00e7\u00e3o rebaixem a nota de cr\u00e9dito no Brasil j\u00e1 que no in\u00edcio do m\u00eas, <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/10/economia/1441838494_692268.html\">a ag\u00eancia Standard & Poors rebaixou a nota brasileira e retirou o <em>selo de bom pagador</em> do pa\u00eds</a>. Agora, especialistas concordam que as ag\u00eancias Fitch e Moody seguir\u00e3o o mesmo caminho.</p>", "<p>Tudo indica que a volatilidade entre o d\u00f3lar e o real continue nas pr\u00f3ximas semanas. Ningu\u00e9m pode se atrever, no entanto, a calcular quanto valer\u00e1 o d\u00f3lar no fim do ano, mas a tend\u00eancia \u00e9 que oscile em torno dos quatro reais por d\u00f3lar, de acordo com a maioria dos analistas.</p>", "<p>Na semana passada, <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/15/politica/1442271444_522241.html\">Dilma Rousseff anunciou novos cortes e aumentos de impostos para eliminar o d\u00e9ficit de 35 bilh\u00f5es de reais do or\u00e7amento de 2016</a>, transformando-o num super\u00e1vit de 60,4 bilh\u00f5es de reais. No entanto, as medidas precisam passar pelo crivo do Congresso Nacional, hostil ao Governo, onde devem enfrentar resist\u00eancia. Nesta ter\u00e7a-feira Dilma envia ao Legislativo as propostas do ajuste. A inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o dessas medidas fez o mercado reagir com fortes oscila\u00e7\u00f5es na segunda-feira.</p>", "<p>\"Parte da perda de for\u00e7a do real \u00e9 externa, mas as raz\u00f5es internas s\u00e3o muitas\", diz o economista-chefe da Gradual Investimentos, Andr\u00e9 Guilherme Perfeito. O especialista lembra que a moeda \u00e9 um reflexo da situa\u00e7\u00e3o do Governo. Se ele est\u00e1 enfraquecido, assim estar\u00e1 sua moeda. \"Vivemos uma crise pol\u00edtica muito forte que acaba deteriorando os esfor\u00e7os fiscais e a economia, num momento em que a presidenta adotou um plano de austeridade\", conclui o economista.</p>", "<p>Nas \u00faltimas semanas, o mundo pol\u00edtico e econ\u00f4mico brasileiro foi sacudido por crises ininterruptas: especulou-se a destitui\u00e7\u00e3o do ministro da Fazenda, <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/joaquim_levy/a/\">Joaquim Levy,</a> o arquiteto de todo o plano de ajuste; depois, houve <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/16/politica/1442359617_806159.html\">especula\u00e7\u00f5es sobre a demiss\u00e3o do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.</a> Tudo isso reflete a instabilidade de um Governo fustigado por m\u00faltiplas for\u00e7as.</p>", "<p>A situa\u00e7\u00e3o da presidenta piora a cada dia. \"Ela est\u00e1 cada vez mais isolada, o que impossibilita a ado\u00e7\u00e3o de medidas muito importantes para reativar a economia e cria esse cen\u00e1rio de incerteza. Com esse panorama \u00e9 dif\u00edcil que a taxa de c\u00e2mbio reverta a tend\u00eancia de alta\", explica.</p>", "<p>O economista salienta, no entanto, que a situa\u00e7\u00e3o da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o preocupante porque o Brasil possui uma reserva de divisas relativamente boa, de 370 bilh\u00f5es de reais. \"Entre os Brics, s\u00f3 temos menos reservas que os chineses\", acrescenta.</p>", "<p>Ainda que o real mais fraco pressione a infla\u00e7\u00e3o com o aumento do pre\u00e7o dos importados, reduzindo o poder de compra dos brasileiros, a moeda desvalorizada beneficia a balan\u00e7a comercial do pa\u00eds e facilita as exporta\u00e7\u00f5es. A l\u00f3gica \u00e9 simples, os pre\u00e7os dos produtos ficam mais competitivos no exterior e a demanda pelos produtos brasileiros sobem.</p>", "<p>\"Essa valoriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser vista apenas sob uma perspectiva negativa. Um d\u00f3lar mais caro ajuda no equil\u00edbrio da balan\u00e7a comercial que vem sofrendo com a desacelera\u00e7\u00e3o da economia da <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/china/a/\">China</a> (o principal comprador do Brasil) e com a queda global dos pre\u00e7os das <em>commodities</em>\", afirma.</p>", "<p>O economista explica tamb\u00e9m que os turistas brasileiros v\u00e3o come\u00e7ar a buscar mais destinos nacionais o que far\u00e1 que o dinheiro circule mais no turismo local. Com um d\u00f3lar mais caro, uma viagem para o exterior pesar\u00e1 mais no bolso dos\u00a0 cidad\u00e3os. \"Os brasileiros estavam deixando uma m\u00e9dia de 2 bilh\u00f5es de reais no exterior por m\u00eas, mas agora esse valor deve cair bastante\", explica Perfeito.</p>"], | |
| "permalink": "http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/21/economia/1442864906_202938.html", | |
| "captured_at": "2015-10-12 10:31:53", | |
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| "content": ["<p>Ap\u00f3s mais de 20 anos de forte crescimento, o superciclo dos <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/paises_emergentes/a/\" target=\"_blank\">pa\u00edses emergentes</a> parece ter chegado ao fim. Pela primeira vez em quase 30 anos, as grandes economias emergentes deixar\u00e3o de ser atraentes para o investimento e v\u00e3o registrar uma sa\u00edda l\u00edquida de capitais este ano, de acordo com o Instituto de Finan\u00e7as Internacionais. Ao contr\u00e1rio de outras crises, <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/25/economia/1427322429_883162.html\">as causas dessa mudan\u00e7a devem ser encontradas nos pr\u00f3prios emergentes</a>: <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/10/economia/1436562479_992464.html\" target=\"_blank\">a desacelera\u00e7\u00e3o da China</a>, <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/26/economia/1437937870_327794.html\" target=\"_blank\">a queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias primas</a> e o elevado endividamento das empresas. <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/28/politica/1443454968_263813.html\">O Brasil e a Turquia s\u00e3o pa\u00edses que acumulam mais riscos</a>.</p>", "<p>Os fluxos de capitais para os pa\u00edses emergentes enfraqueceram significativamente neste ano. O Instituto de Finan\u00e7as Internacionais (IIF, por sua sigla em ingl\u00eas) calcula que esse grupo de pa\u00edses s\u00f3 receber\u00e1, este ano, investimentos de cerca de 548 bilh\u00f5es (2,1 trilh\u00f5es de reais), muito abaixo do mais de 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares que recebeu em 2014 e mesmo abaixo dos n\u00edveis registrados em plena crise financeira internacional. O <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/16/economia/1442395547_540540.html\">decl\u00ednio \u00e9 ainda mais dram\u00e1tico se for medido em termos de PIB</a>: se em 2007 os emergentes conseguiram atrair capitais pelo equivalente a 8% do seu PIB combinado, os fluxos que receber\u00e3o este ano representam apenas 2% do total.</p>", "<p>\u201cAo contr\u00e1rio da crise de 2008, a sa\u00edda dos emergentes \u00e9 impulsionada principalmente por fatores internos, refletindo uma desacelera\u00e7\u00e3o sustentada do crescimento nesses pa\u00edses e que foi amplificada pela crescente incerteza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/china/a/\">China</a> e suas pol\u00edticas\u201d, diz o relat\u00f3rio do organismo que re\u00fane os principais bancos privados do mundo.</p>", "<p>A esse cen\u00e1rio ruim deve ser somada a forte sa\u00edda de capital privado dessas economias, que rondar\u00e1 a cifra de 1,09 trilh\u00e3o de d\u00f3lares, \u201cprincipalmente pelo pagamento dos cr\u00e9ditos assumidos em d\u00f3lares por parte das empresas chinesas\u201d, explica o IIF, e a redu\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o dos bancos estrangeiros a essas economias (134 bilh\u00f5es de d\u00f3lares). As quedas sofridas pelas Bolsas emergentes tamb\u00e9m causam <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/29/economia/1438192121_327515.html\">debilidade das moedas emergentes.</a> Tanto que, depois de anos acumulando reservas a um ritmo de 500 bilh\u00f5es por ano, muitos pa\u00edses agora usam essas reservas para defender suas moedas. \u201cA mudan\u00e7a \u00e9 particularmente alta na China, ap\u00f3s anos de forte acumula\u00e7\u00e3o de reservas, e entre os pa\u00edses do Golfo, que devem enfrentar d\u00e9ficits pela queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo\u201d, afirma o IIF.</p>", "<p class=\"texto_grande\">Ao contr\u00e1rio de outras crises, a desconfian\u00e7a dos investidores tem causas internas</p>", "<p>O saldo l\u00edquido das entradas e sa\u00eddas de capital chega aos 541 bilh\u00f5es de d\u00f3lares negativos, algo sem precedentes desde 1988. O IIF espera que a sa\u00edda de capital continue em 2016, com uma fuga de investimentos de mais 300 bilh\u00f5es \u201cembora haja riscos de que sejam maiores\u201d, afirmou por teleconfer\u00eancia o economista-chefe do IIF, Charles Collyns.</p>", "<p>\u201cO superciclo dos emergentes ficou para tr\u00e1s\u201d, disse Huing Tran, diretor executivo do IIF. \u201cO crescimento se deteriorou significativamente nesses pa\u00edses nos \u00faltimos cinco anos, e h\u00e1 raz\u00f5es de ordem estrutural para se considerar que uma altera\u00e7\u00e3o nessa tend\u00eancia n\u00e3o ocorrer\u00e1 rapidamente\u201d. Nesse cen\u00e1rio, os pa\u00edses com maiores d\u00e9ficits em conta corrente, sob um contexto de pol\u00edticas econ\u00f4micas \u201cquestion\u00e1veis\u201d, alto endividamento de suas empresas em moeda estrangeira e acossados por \u201cincertezas pol\u00edticas\u201d s\u00e3o os que possuem riscos maiores de sofrer uma crise cambial e, at\u00e9 mesmo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida. O Brasil e a Turquia encabe\u00e7am esse ranking.</p>", "<p>A fuga de capitais dos principais mercados emergentes reflete as d\u00favidas dos investidores, em um momento em que a China cresce menos do que o previsto e em que o modelo de crescimento baseado nas exporta\u00e7\u00f5es, sobretudo de mat\u00e9rias-primas, deixou claro os seus limites.</p>", "<p>A desacelera\u00e7\u00e3o chinesa evidenciou um \u201cexcesso generalizado de capacidade em todo o setor industrial\u201d, garante Hung Tran, diretor executivo do Instituto de Finan\u00e7as Internacionais (IIF). Nos \u00faltimos cinco anos, o endividamento empresarial dos emergentes aumentou o equivalente a 30% do PIB desses pa\u00edses.</p>", "<p>\u201cA velocidade com que esse endividamento se produziu tem um papel decisivo, pois ela define a qualidade dessa d\u00edvida e a consequente capacidade de condu\u00e7\u00e3o da crise\u201d, admitiu Tran.</p>", "<p>Essa tend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 pol\u00edtica monet\u00e1ria dos pa\u00edses desenvolvidos, que registram anos de taxas pr\u00f3ximas de zero e uma liquidez sem precedentes. Neste momento em que a Reserva Federal estuda a possibilidade de aumentar as taxas de juros, os emergentes perdem atratividade perante os investidores, ao passo que suas empresas se veem restringidas pelo alto endividamento, em muitos casos em d\u00f3lares.</p>", "<p>Apesar do cen\u00e1rio negativo esbo\u00e7ado a partir dessas previs\u00f5es, o organismo que re\u00fane os maiores bancos privados do mundo se recusa a falar no risco de uma recess\u00e3o global, mesmo que a conjun\u00e7\u00e3o dos fatores que ele pr\u00f3prio descreve \u2013queda nos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, deprecia\u00e7\u00e3o das moedas e turbul\u00eancias financeiras\u2014 tenham no passado gerado uma forte desacelera\u00e7\u00e3o do <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/pib/a/\">PIB</a> mundial. O IIF prev\u00ea para este ano um crescimento de 3,5% no conjunto das 30 maiores economias emergentes, \u00edndice mais baixo desde a crise financeira.</p>"], | |
| "permalink": "http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/01/economia/1443725414_336939.html", | |
| "captured_at": "2015-10-12 10:31:54", | |
| "keyword": "crise" | |
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| "content": ["<p>O <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/fmi_fondo_monetario_internacional/a/\">Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI)</a> enxerga o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/brasil/a/\">Brasil</a>, a economia mais potente de Am\u00e9rica Latina, tocando o fundo do po\u00e7o ao longo de 2015. Durante este ano, segundo os analistas do Fundo, que celebra nesta semana em Lima sua Assembleia Anual, o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/pib/a/\">PIB</a> brasileiro vai retroceder 3%. Em abril, o Fundo projetava uma queda em torno de 1%. Em julho, por\u00e9m, com a r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico, os especialistas da organiza\u00e7\u00e3o reconsideraram e projetaram uma queda ainda mais preocupante, de 1,5%. Em outubro, essa proje\u00e7\u00e3o negativa dobrou, o que indica como o pa\u00eds segue ladeira abaixo, chegando a um ponto que ningu\u00e9m podia vislumbrar no in\u00edcio do ano. \u201cNo Brasil, a queda \u00e9 mais profunda do que se imaginava\u201d, resume o relat\u00f3rio. Em 2013, a economia brasileira manteve-se firme com um avan\u00e7o de 2,7%, embora j\u00e1 no ano passado tenha se contra\u00eddo 0,1%.</p>", "<p>Estas cifras constituem um rev\u00e9s para uma economia que chegou a crescer 7,5% na d\u00e9cada passada, e para uma popula\u00e7\u00e3o que, durante esse tempo, pensou que seu pa\u00eds, por fim, se colocava junto \u00e0s na\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3speras. Boa parte da <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/crisis_economica/a/\">crise econ\u00f4mica</a> tem sua origem em uma <a href=\"http://economia.elpais.com/economia/2015/09/05/actualidad/1441480568_645559.html\">incerteza pol\u00edtica</a> e na pr\u00f3pria debilidade da presidenta, <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/dilma_rousseff/a/\">Dilma Rousseff</a>. A mandataria, eleita para seu segundo mandato em janeiro por uma margem estreit\u00edssima, <a href=\"http://internacional.elpais.com/internacional/2015/09/30/actualidad/1443619302_989160.html\">padece com um \u00edndice de popularidade muito baixo</a>, que n\u00e3o supera 10%, e suas desaven\u00e7as com um Congresso hostil, que veta suas iniciativas e p\u00f5e trava \u00e0s suas medidas de ajuste, jogando-a contra as cordas um dia sim e outro tamb\u00e9m. \u201cA confian\u00e7a dos investidores e dos consumidores continua se retrair no pa\u00eds, em parte pela deteriora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, corrobora o informe.</p>", "<p>No in\u00edcio de setembro, o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/joaquim_levy/a/\">ministro da Fazenda, Joaquim Levy</a>, disse ao EL PA\u00cdS que o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/medida_provisoria_ajuste_fiscal_brasil/a/\">ajuste fiscal</a> promovido <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/04/politica/1441399950_475629.html\" target=\"_blank\">pelo Governo representava um ter\u00e7o da desacelera\u00e7\u00e3o do PIB</a>. O resto seria obra do n\u00f3 pol\u00edtico que se estabeleceu entre o Executivo e o Legislativo. \u201cQuando tem uma turbul\u00eancia pol\u00edtica as pessoas se retraem. E decis\u00f5es que voc\u00ea precisa tomar s\u00e3o adiadas\u201d, disse Levy na ocasi\u00e3o.</p>", "<p>Ao mesmo tempo, a infla\u00e7\u00e3o, verdadeiro calcanhar de Aquiles da economia brasileira, deve manter trajet\u00f3ria de alta, at\u00e9 um quase intoler\u00e1vel 8,9% ao longo deste ano duro, segundo os experts do fundo. Depois do tarifa\u00e7o do in\u00edcio do ano, com a alta nos pre\u00e7os de tributos e da energia el\u00e9trica, o pa\u00eds encara as press\u00f5es inflacion\u00e1rias das oscila\u00e7\u00f5es do c\u00e2mbio e a recente alta dos combust\u00edveis, anunciada pela <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/petrobras/a/\">Petrobras</a>. At\u00e9 agosto, a alta de pre\u00e7os chega a 7,06%, acima da meta de 6,5% estabelecida pelo Banco Central.</p>", "<p>O FMI considera, por outro lado, que depois da alta de quase 9%, a infla\u00e7\u00e3o vai ceder at\u00e9 em fun\u00e7\u00e3o do quadro recessivo, onde <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/28/economia/1443451540_735793.html\" target=\"_blank\">as pessoas est\u00e3o apertando o cinto e reduzindo gastos</a>, com receio do desemprego. Para o fundo, a infla\u00e7\u00e3o acabar\u00e1 flutuando em torno de 6,3%. O desemprego, por outro lado, que em anos anteriores n\u00e3o superava os 5%, chegar\u00e1 a 6,6% em 2015 para alcan\u00e7ar, no ano que vem, 8,6%.</p>", "<p>Os desencontros pol\u00edticos e a press\u00e3o pela sa\u00edda da presidenta Rousseff tem retra\u00eddo o setor empresarial, que n\u00e3o aumenta investimentos, \u00e0 espera de um cen\u00e1rio mais claro. Parte dos empres\u00e1rios est\u00e3o em p\u00e9 de guerra com o Governo com o projeto de recriar o imposto para a sa\u00fade e previd\u00eancia, a CPMF, que deve passar pelo crivo do Congresso nas pr\u00f3ximas semanas. Levy tem condicionado a melhora da economia \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do ajuste. Na semana passada, a mandat\u00e1ria promoveu uma reforma ministerial dando mais espa\u00e7o ao hostil PMDB para garantir apoio aos programas de austeridade proposto por Levy.</p>", "<p><strong>Lava Jato e estresse pol\u00edtico<br></strong></p>", "<p>O \u201cestresse pol\u00edtico e financeiro\u201d, resultado da deteriorante posi\u00e7\u00e3o fiscal do Brasil e da investiga\u00e7\u00e3o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/operacion_lava_jato/a/\">Lava Jato</a>, ser\u00e1 um fator de press\u00e3o para o pa\u00eds, segundo a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody's a seus clientes nesta ter\u00e7a. A ag\u00eancia coincide com o FMI na proje\u00e7\u00e3o de queda de 3% da economia nesta ano. A falta de consenso pol\u00edtico \u201ctem impedido a atual administra\u00e7\u00e3o de entregar super\u00e1vits fiscais de tamanho suficiente para conter o n\u00edvel de endividamento do governo\u201d, afirma Mauro Leos, vice-presidente e analista s\u00eanior da <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/moodys/a/\">Moody\u00b4s</a>. O quadro afeta a posi\u00e7\u00e3o fiscal do Brasil e continuar\u00e3o afetando negativamente a qualidade de cr\u00e9dito de emissores tanto do setor p\u00fablico quanto do privado ao longo de 2016, prev\u00ea a ag\u00eancia.</p>", "<p>O desmoronamento da economia brasileira, muito mais acelerado e estrepitoso do que se esperava, com um retrocesso de 3% durante este ano, arrasta indevidamente em sua queda a vizinha Argentina. Aproximadamente 50% das exporta\u00e7\u00f5es argentinas s\u00e3o destinadas ao Brasil. Por isso, o Relat\u00f3rio de Perspectivas do FMI apresentado nesta ter\u00e7a-feira em Lima prognostica para a Argentina neste ano uma ex\u00edgua ascens\u00e3o do PIB, de apenas 0,4%, e prev\u00ea, para o ano que vem, um retrocesso de 0,7%. A infla\u00e7\u00e3o, que neste ano flutuar\u00e1 em torno de 16,8%, disparar\u00e1 em 2016 at\u00e9 inquietantes 25,6%.</p>", "<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, al\u00e9m de afetar as exporta\u00e7\u00f5es, j\u00e1 fez o turismo despencar 26%. Se h\u00e1 alguns anos eram os brasileiros, donos de uma moeda forte, que enchiam os restaurantes argentinos, agora ocorre o contr\u00e1rio. Enquanto isso, a Argentina, mergulhada em uma campanha eleitoral que acabar\u00e1 em 25 de outubro, \u00e0 espera de escolher o sucessor do kirchnerismo, aguarda sem saber se depois das elei\u00e7\u00f5es o vencedor decidir\u00e1 tamb\u00e9m desvalorizar o peso. Dada a cr\u00f4nica infla\u00e7\u00e3o argentina, trata-se de um passo delicado, e nenhum candidato revelou o que vai fazer a respeito.</p>", "<p>O retrocesso chin\u00eas tamb\u00e9m fere as exporta\u00e7\u00f5es argentinas. As \u00e9pocas em que o gigante chin\u00eas crescia acima de 9% j\u00e1 s\u00e3o hist\u00f3ria. Com um crescimento que neste ano n\u00e3o chegar\u00e1 aos 7% e que o ano que vem retroceder\u00e1 ainda mais, ficando em 6,3%, a China precisar\u00e1, entre outras coisas, de menos minerais e menos soja procedentes da Argentina.</p>"], | |
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| "captured_at": "2015-10-12 10:31:54", | |
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| "content": ["<p>O t\u00edtulo que o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/fmi_fondo_monetario_internacional/a/\">Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI)</a> d\u00e1 a seu \u00faltimo relat\u00f3rio sobre a economia mundial j\u00e1 diz quase tudo: \u201cAjustando-se aos pre\u00e7os mais baixos das mat\u00e9rias-primas\u201d. <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/26/economia/1437937870_327794.html\">A China, a economia que marca o passo da demanda por produtos b\u00e1sicos, n\u00e3o est\u00e1 crescendo como antes</a>. Os pa\u00edses exportadores de metais, petr\u00f3leo e alimentos, em boa parte emergentes ou em vias de desenvolvimento, sofrem. E a recupera\u00e7\u00e3o das economias avan\u00e7adas caminha a \u201cum ritmo persistentemente modesto\u201d. Portanto, o que se ajusta \u2013 para baixo \u2013 \u00e9 o progn\u00f3stico de crescimento. Os especialistas do FMI revisaram outros dois d\u00e9cimos ao que eles acreditam <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/07/economia/1428399399_140216.html\">que ser\u00e1 o PIB mundial em 2015</a> para deix\u00e1-lo em 3,1%, a taxa mais baixa em seis anos.</p>", "<p>\"Para os mercados emergentes e os pa\u00edses em vias de desenvolvimento, nossa previs\u00e3o \u00e9 que 2015 ser\u00e1 o quinto ano consecutivo de crescimento em decl\u00ednio\u201d, destaca o novo economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, na introdu\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, apresentando nesta ter\u00e7a-feira em Lima. A capital peruana recebe, nesta semana, a assembleia anual da organiza\u00e7\u00e3o. Esses cinco anos de avan\u00e7o enfraquecido se traduzir\u00e1 em um aumento de 4% do PIB desse grupo de pa\u00edses amplo e heterog\u00eaneo, encabe\u00e7ado pelo Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China. Uma taxa muito baixa para aquilo que foi o motor do crescimento mundial: nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, s\u00f3 em 2009 (3,1%), em meio \u00e0 Grande Recess\u00e3o nas economias desenvolvidas, e em 2001, quando estourou a bolha das empresas <em>pontocom</em>, esses pa\u00edses avan\u00e7aram a um ritmo mais baixo. Em 2007, \u00e0s v\u00e9speras da crise, as na\u00e7\u00f5es emergentes ou em desenvolvimento cresciam 9%. A China, 14%.</p>", "<p>O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o no novo progn\u00f3stico \u00e9 que, apesar da \u201cdesacelera\u00e7\u00e3o do crescimento da China\u201d ser o principal motivo para a piora das previs\u00f5es para o resto das economias emergentes (e algumas desenvolvidas), o gigante asi\u00e1tico escapa dessas revis\u00f5es para baixo. Nem as <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/27/economia/1437987887_294910.html\">acentuadas quedas da Bolsa de Xangai</a> neste ver\u00e3o nem os crescentes ind\u00edcios de que o investimento imobili\u00e1rio e a produ\u00e7\u00e3o industrial deixaram de caminhar a um bom ritmo modificam a expectativa dos especialistas do FMI, que destacam o novo suporte do consumo privado. Como ocorria no in\u00edcio do ano, o Fundo estima que o PIB chin\u00eas crescer\u00e1 6,8% em 2015 e 6,3% em 2016.</p>", "<p>\u201cAs repercuss\u00f5es da desacelera\u00e7\u00e3o chinesa al\u00e9m das fronteiras do pa\u00eds s\u00e3o maiores do que foi estimado inicialmente\u201d, justifica o Fundo. \u201cIsso se reflete em uma queda nos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas e nas exporta\u00e7\u00f5es para a China, hoje mais fracas\u201d, acrescenta.</p>", "<p>A cota\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo caiu 46% no \u00faltimo ano, segundo os n\u00fameros do FMI, enquanto o pre\u00e7o dos principais metais caiu 22% e o dos alimentos, 17%. O Fundo antecipa que este per\u00edodo de pre\u00e7os baixos dos produtos b\u00e1sicos se estender\u00e1 por pelo menos mais dois anos, e retirar\u00e1 entre 1 e 2,25 pontos percentuais do crescimento anual dos pa\u00edses exportadores entre 2015 e 2017.</p>", "<p>Am\u00e9rica Latina \u00e9 a regi\u00e3o que sai na pior situa\u00e7\u00e3o com esse novo cen\u00e1rio, protagonizado tamb\u00e9m pelo endurecimento das condi\u00e7\u00f5es financeiras para os pa\u00edses emergentes \u2013 a iminente alta das taxas de juros nos Estados Unidos marca o fim da abund\u00e2ncia de liquidez \u2013 ou a sa\u00edda de capitais em dire\u00e7\u00e3o aos ref\u00fagios tradicionais (Estados Unidos, Jap\u00e3o e a zona do euro). A nova previs\u00e3o \u00e9 que o PIB conjunto das economias latino-americanas e do Caribe retroceda 0,3% este ano, frente ao aumento de 0,5% que se antecipava em julho.</p>", "<p>A Venezuela (-10%), o Brasil (-3%) e o Equador (-0,6%) s\u00e3o os que mostram a pior evolu\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s um corte substancial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00faltima previs\u00e3o. Mas tamb\u00e9m est\u00e1 se desacelerando o crescimento dos pa\u00edses integrantes da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico (Chile, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Peru), mais flutuante, com avan\u00e7os em torno de 2,5%. A Argentina aponta para uma ligeira melhor este ano, ainda que apenas para postergar a recess\u00e3o (-0,7%) para 2016. J\u00e1 a Bol\u00edvia mant\u00e9m a taxa de 4,1%, beneficiada em parte porque os contratos de explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural s\u00e3o negociados a longo prazo.</p>", "<p>A R\u00fassia, t\u00e3o atingida pela queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo como pelo conflito com a Ucr\u00e2nia e as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, tamb\u00e9m enfrenta um progn\u00f3stico pior, com um retrocesso previsto em 3,8%, diante dos 3,4% que o FMI estimava em julho. A previs\u00e3o sobre a economia da \u00cdndia tamb\u00e9m sofre uma pequena corre\u00e7\u00e3o \u2013 mas ainda assim seu crescimento (7,3% em 2015) ser\u00e1 maior que o da China desta vez.</p>", "<p>O impacto da queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas e das exporta\u00e7\u00f5es \u00e0 China tamb\u00e9m fica evidente na evolu\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses avan\u00e7ados, que ainda assim registrar\u00e3o um crescimento maior (2%) que o de 2014 (1,8%). O FMI afirma que \u201cas heran\u00e7as da crise financeira em v\u00e1rias economias desenvolvidas\u201d, incluindo \u201cos altos n\u00edveis de d\u00edvida p\u00fablica e privada, a fraqueza do setor financeiro e os baixos investimentos\u201d se unem a outros problemas de m\u00e9dio prazo (envelhecimento, produtividade estancada). Assim, o que agora \u00e9 um cen\u00e1rio vantajoso para muitos deles \u2013 importa\u00e7\u00e3o mais barata de petr\u00f3leo e as condi\u00e7\u00f5es financeiras favor\u00e1veis pela interven\u00e7\u00e3o de bancos centrais \u2013 n\u00e3o se traduz numa recupera\u00e7\u00e3o mais vigorosa.</p>", "<p>O progn\u00f3stico piorou levemente para a Alemanha (crescimento de 1,5% em 2015) e o Jap\u00e3o (0,6%), pa\u00edses exportadores afetados pelas quedas nas compras da China. E tamb\u00e9m em algumas economias avan\u00e7adas que vendem mat\u00e9rias-primas, como Canad\u00e1, Noruega e Austr\u00e1lia. Por outro lado, as previs\u00f5es melhoram ligeiramente para os Estados Unidos (2,6%) e o Reino Unido (2,5%). No caso dos EUA, o FMI antecipa que a melhora das condi\u00e7\u00f5es laborais, como a taxa de desemprego em 5,1%, pode levar o Federal Reserve (Banco Central norte-americano) a subir as taxas de juros no final deste ano, mas diz que nem a infla\u00e7\u00e3o nem os sal\u00e1rios t\u00eam dado sinais claras de reativa\u00e7\u00e3o.</p>", "<p>A estimativa para a Espanha n\u00e3o muda (um avan\u00e7o de 3,1%, dois d\u00e9cimos abaixo da previs\u00e3o do Governo de Rajoy), mas o Fundo volta a destacar que o crescimento previsto \u201c\u00e9 especialmente intenso\u201d, at\u00e9 dobrar a taxa estipulada para a zona do euro (1,5%).</p>", "<p>O FMI acredita que a economia mundial ter\u00e1 algum impulso em 2016, apesar de tamb\u00e9m revisar para baixo sua previs\u00e3o, que agora \u00e9 de 3,6%. Os <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/06/economia/1444087697_438720.html\">especialistas do organismo internacional apostam que a recess\u00e3o do Brasil</a> e da R\u00fassia \u00e9 passageira, assim como a freada de outros exportadores de mat\u00e9rias-primas. Isso, aliado a outro passo na lenta recupera\u00e7\u00e3o das economias avan\u00e7adas, permitiria compensar a desacelera\u00e7\u00e3o chinesa. Agora s\u00f3 falta comprovar se a previs\u00e3o ser\u00e1 mantida ou se sofrer\u00e1 outra queda nos pr\u00f3ximos meses.</p>"], | |
| "permalink": "http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/06/economia/1444108814_932817.html", | |
| "captured_at": "2015-10-12 10:31:54", | |
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| }, { | |
| "content": ["<p>Augusto de la Torre, chileno, economista-chefe do <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/banco_mundial/a/\">Banco Mundial</a> para a Am\u00e9rica Latina, lamenta o <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/06/economia/1444087697_438720.html\">protagonismo do Brasil e sua recess\u00e3o</a> durante o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/reuniones_anuales_gbm_fmi/a/\">encontro do FMI</a>, que acontece em Lima, no Peru, esta semana. Na opini\u00e3o de De la Torre, a recess\u00e3o brasileira \u201c\u00e9 um mist\u00e9rio\u201d. \u201cOs \u00edndices macroecon\u00f4micos n\u00e3o justificam uma recess\u00e3o t\u00e3o profunda\u201d. Para o especialista chileno, <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/04/politica/1441399950_475629.html\">o trabalho que tem sido feito pelo atual ministro da Fazenda brasileiro, Joaquim Levy, \u00e9 admir\u00e1ve</a>l; a moeda \u201ctem se sustentado bem\u201d, aguentando o embate e se desvalorizando corretamente, mas a demanda interna \u201cn\u00e3o consegue se relan\u00e7ar\u201d. E a causa disso deve ser atribu\u00edda \u00e0s \u201cincertezas pol\u00edticas\u201d. Ou seja: na <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/c/9ee51b56a07c53428c6e49c56b289628/\">crise pol\u00edtica</a> que evidencia a fragilidade institucional de <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/dilma_rousseff/a/\">Dilma Rousseff</a>, que se encontra de m\u00e3os atadas diante de um Congresso hostil.</p>", "<p>O economista-chefe, por\u00e9m, se diz convencido de que o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/brasil/a/\">Brasil</a> sair\u00e1 de sua <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/crisis_economica/a/\">crise econ\u00f4mica</a> dentro de alguns meses. Por qu\u00ea? \u201cPorque a economia est\u00e1 encontrando caminhos para se ajustar. Se houver uma resposta pol\u00edtica positiva, ela se reajustar\u00e1 bem; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o; mas, de toda forma, acabar\u00e1 por se reajustar. E, uma vez digerida a atual crise, o que se mant\u00e9m \u00e9 a capacidade de rea\u00e7\u00e3o das economias nacionais. Quando olhamos para o Brasil, que \u00e9 uma economia gigantesca, sabemos que possui uma grande capacidade de rea\u00e7\u00e3o\u201d.</p>", "<p>Ainda a respeito do Brasil, De la Torre comentou as aparentes diferen\u00e7as existentes entre alguns pa\u00edses latino-americanos, como a Col\u00f4mbia, o Chile e o Peru, membros da <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/tpp_acuerdo_estrategico_transpacifico_asociacion_economica/a/\">Alian\u00e7a do Pac\u00edfico</a>, que atravessam a crise em melhores condi\u00e7\u00f5es, e o Brasil e a Argentina, que afundam. N\u00e3o h\u00e1 o risco de se abrir uma fenda no continente? \u201cOs pa\u00edses, quando a economia vai bem, s\u00e3o parecidos uns com os outros; mas isso n\u00e3o acontece da mesma forma quando ela vai mal. Nesse caso, as diferen\u00e7as estruturais vem \u00e0 tona. Por isso, \u00e9 poss\u00edvel que alguns pa\u00edses percam o compasso, especialmente aqueles que n\u00e3o realizaram as reformas necess\u00e1rias\u201d, explica.</p>", "<p>E acrescenta: \u201cH\u00e1 ditaduras que fazem reformas sem ouvir muito as pessoas. Nas democracias pulsantes, como as latino-americanas, isso \u00e9 imposs\u00edvel. Assim, as democracias latino-americanas precisam encontrar o equil\u00edbrio entre produtividade e desigualdade. O que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil\u201d.</p>", "<p>De la Torre destaca, ainda, o papel que a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, implementada no <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/luiz_inacio_da_silva/a/\">Governo Lula</a>, teve enquanto alavanca econ\u00f4mica. Mas, defende que se trata de um instrumento importante apenas para os tempos de vacas gordas. \u201cNos tempos de vacas magras, o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o \u00e9 inimigo daquele que est\u00e1 empregado, \u00e9 claro, que est\u00e1 satisfeito, tem voz ativa e est\u00e1 organizado. Quem n\u00e3o \u00e9 ouvido, por\u00e9m, \u00e9 o desempregado, que n\u00e3o est\u00e1 organizado. Cria-se, assim, uma esp\u00e9cie de desigualdade, pois aquele que se encontra na pior situa\u00e7\u00e3o, o desempregado, n\u00e3o tem voz ativa\u201d.</p>", "<p>O economista tem algumas propostas para tornar o sal\u00e1rio m\u00ednimo mais flex\u00edvel: que seja diferente para cada empresa, j\u00e1 que as pequenas empresas t\u00eam mais dificuldade para contratar do que as grandes; ou, que ele seja diferente conforme a idade dos trabalhadores, de forma que os jovens recebam menos, ou que esses jovens trabalhem mais horas pela mesma remunera\u00e7\u00e3o. E conclui: \u201cO sal\u00e1rio m\u00ednimo que nos conv\u00e9m em tempos de vacas gordas n\u00e3o \u00e9 o mesmo que nos conv\u00e9m em tempos de crise\u201d.</p>", "<p>Falar em diminuir o sal\u00e1rio m\u00ednimo, por\u00e9m, \u00e9 um tabu social em qualquer lugar do mundo. La Torre, ao contr\u00e1rio, entende que o sal\u00e1rio m\u00ednimo se torna um inimigo do emprego quando a economia patina e o desemprego cresce, como ocorre hoje em muitos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Ele defende que essa conquista dos trabalhadores (\u201cda qual Marx j\u00e1 falava\u201d, lembra) n\u00e3o deve ser vista apenas como um tema delicado, mas sim \u00e0 luz dos ciclos econ\u00f4micos. \u201c\u00c9 um tema delicado, relacionado a quest\u00f5es filos\u00f3ficas e ideol\u00f3gicas.</p>", "<p>No mundo moderno, o sal\u00e1rio m\u00ednimo deve garantir condi\u00e7\u00f5es de vida razoavelmente humanas. \u201cMas devemos evitar as paix\u00f5es, para poder focar naquilo que realmente importa, que \u00e9 a qualidade do emprego\u201d, acrescenta. O economista explica, tamb\u00e9m, que o trabalhador qualificado, detentor de habilidades e de forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se preocupa com o sal\u00e1rio m\u00ednimo, pois ganha bem acima disso. \u201cMas quem se preocupa, sim, \u00e9 a empresa, que \u00e9 obrigada a contratar tanto os mais qualificados quanto os n\u00e3o-qualificados. E, se o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 muito elevado, ela simplesmente deixa de contratar\u201d. Ele continua: \u201cNesse caso, pode acontecer algo inesperado. Pretend\u00edamos proteger o trabalhador, para que ele tivesse uma vida decente, mas perdemos o controle por quest\u00f5es pol\u00edticas e, em tempos de retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, esse sal\u00e1rio m\u00ednimo se torna um inimigo do emprego\u201d.</p>"], | |
| "permalink": "http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/07/economia/1444224526_134643.html", | |
| "captured_at": "2015-10-12 10:31:54", | |
| "keyword": "crise" | |
| }, { | |
| "content": ["<p>No lotado Teatro Nacional de Lima, o impulsivo jornalista da rede norte-americana CNN Richard Quest perguntou a <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/joaquim_levy/a/\">Joaquim Levy</a>, ministro da Economia brasileiro, sentado ao lado da presidenta do <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/fmi_fondo_monetario_internacional/a/\">Fundo Monet\u00e1rio Internacional</a> (FMI), Christine Lagarde: \u201cE como seu pa\u00eds vai sair da recess\u00e3o?\u201d A resposta (\u201cn\u00e3o \u00e9 uma crise como a de algumas d\u00e9cadas, estamos digerindo, vamos contar com a nossa infraestrutura...\u201d) era menos importante do que a pergunta em si, j\u00e1 que todos, na <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/reuniones_anuales_gbm_fmi/a/\">Reuni\u00e3o anual do Fundo Monet\u00e1rio Internacional e do Banco Mundial</a> na capital peruana, estavam se perguntando a mesma coisa: O que est\u00e1 havendo no <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/brasil/a/\">Brasil</a>? Como o pa\u00eds vai sair dessa?</p>", "<p>A maior pot\u00eancia econ\u00f4mica latino-americana \u2014 e seu crescente e acelerado desmoronamento \u2014 se transformaram em um dos protagonistas deste f\u00f3rum internacional pelo qual passam \u2014 e que s\u00e3o acompanhados \u2014 os poderes financeiros do planeta. A pr\u00f3pria presidenta do <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/fmi_fondo_monetario_internacional/a/\">FMI</a> se referiu ao Brasil na coletiva de imprensa e lembrou que <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/06/economia/1444087697_438720.html\">o pa\u00eds perder\u00e1 este ano 3%</a> e que se espera que no pr\u00f3ximo ano perca 1%. Ent\u00e3o acrescentou que boa parte dos problemas da pot\u00eancia latino-americana n\u00e3o s\u00e3o simplesmente financeiros, mas \u201cde governan\u00e7a\u201d.</p>", "<p>Os mercados tamb\u00e9m est\u00e3o de olho na crise brasileira. E t\u00eam medo. A gestora de fundos Rabeco, por exemplo, prev\u00ea um futuro preocupante: \u201cSe as empresas brasileiras n\u00e3o conseguirem encontrar cr\u00e9dito internacional, n\u00e3o o encontrar\u00e3o tampouco localmente, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 volume suficiente para absorver as necessidades financeiras. Ent\u00e3o, nos pr\u00f3ximos dois meses, n\u00e3o vemos uma solu\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para a quest\u00e3o fiscal. Existe o risco de <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/07/economia/1444213966_868078.html\">uma crise de cr\u00e9dito que pode afetar as empresas do Brasil</a>\u201d.</p>", "<p>Em s\u00edntese, a \u201cquest\u00e3o fiscal\u201d diz respeito \u00e0 necessidade da <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/dilma_rousseff/a/\">presidenta Dilma Rousseff</a>, do PT, de que o Congresso, no qual seu partido est\u00e1 em minoria, aprove uma bateria de medidas de ajuste propostas exatamente pelo ministro Levy. Apesar de a presidenta ter realizado uma renova\u00e7\u00e3o ministerial para contentar seus aliados no Congresso, <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/07/politica/1444244799_110890.html\">as medidas de ajuste continuam sem aprova\u00e7\u00e3o</a>.</p>", "<p>Enquanto isso, e para aumentar ainda mais a confus\u00e3o, o <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/tcu_tribunal_contas_uniao/a/\">Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU)</a> <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/07/politica/1444253224_133264.html\">rejeitou na quarta-feira, dia 7, o or\u00e7amento do Governo de Rousseff durante 2014</a>. Conforme os ju\u00edzes, o Executivo da presidenta \u2014que foi reeleita em outubro passado e que Governa desde 2010\u2014 maquiou as contas para esconder o d\u00e9ficit p\u00fablico, o que \u00e9 crime no Brasil. A resolu\u00e7\u00e3o dos ju\u00edzes d\u00e1 for\u00e7a ao pedido de <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/proceso_destitucion/a/\">impeachment</a> defendido por um setor da sociedade contra Rousseff. O desenlace jur\u00eddico \u00e9 imprevis\u00edvel. Muitos especialistas garantem que o processo n\u00e3o acabar\u00e1 em impeachment, apesar de ningu\u00e9m saber com certeza o que vai ocorrer. O jornalista Richard Quest perguntou isso ao pr\u00f3prio ministro da Economia brasileiro na quinta-feira, dia 8. Levy respondeu sinceramente: \u201cN\u00e3o sei\u201d.</p>", "<p>Horas depois, o ministro reafirmou, em comunicado enviado ao FMI, o compromisso do Brasil com o ajuste fiscal de suas contas p\u00fablicas, tentando demonstrar otimismo com o futuro do pa\u00eds. \"As expectativas do mercado para a balan\u00e7a comercial triplicaram desde nossa \u00faltima reuni\u00e3o em abril e o investimento estrangeiro direto deve ultrapassar o robusto resultado do ano passado, atingindo 64 bilh\u00f5es de d\u00f3lares\", diz a mensagem. \u00a0</p>", "<p>O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, conversando com o EL PA\u00cdS antes da reuni\u00e3o do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) sobre os problemas espec\u00edficos do Brasil, garantiu: \u201cO ministro da Economia do Brasil, Joaquim Levy, tem o trabalho mais dif\u00edcil do mundo\u201d. Ele mesmo demonstrou isso na quinta-feira, dia 8, em uma mesa sobre a Economia Global, compartilhada com a presidenta do FMI, Christine Lagarde, e o governador do banco da Inglaterra, Mark Carney.</p>", "<p>Ali, Levy come\u00e7ou a falar sobre infraestrutura, centrado sobretudo em rodovias e linhas f\u00e9rreas, que seu pa\u00eds quer criar para impulsionar a economia. O moderador \u2014o apresentador da CNN Richard Quest\u2014 replicou: \u201cMas se voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam dinheiro!\u201d. Levy, sem se abalar, respondeu que \u00e9 verdade que o Estado brasileiro n\u00e3o disp\u00f5e de dinheiro para as obras, mas que o plano prev\u00ea que empresas privadas assumam os trabalhos.</p>", "<p>Depois tentou convencer, de seu ponto de vista privilegiado, que essas obras ser\u00e3o rent\u00e1veis. E ent\u00e3o deu, muito tranquilamente, como se fosse f\u00e1cil, a receita para devolver a confian\u00e7a nos investidores (e nos brasileiros): \u201cDizer a verdade para as pessoas, anunciar os objetivos, tra\u00e7ar um plano e cumpri-lo\u201d.</p>", "<p>O que se pode afirmar \u00e9 que o pr\u00f3prio desenrolar da situa\u00e7\u00e3o enfraquecer\u00e1 politicamente ainda mais uma Dilma Rousseff que j\u00e1 conta com <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/30/politica/1443619302_989160.html\">um \u00edndice de aprova\u00e7\u00e3o \u00ednfimo</a> (menos de 10%), e cujos aliados \u00e0 direita, o Partido do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (PMDB), s\u00e3o especialmente vol\u00faveis e inst\u00e1veis. \u00c0 esquerda, os membros mais socialmente comprometidos do Partido dos Trabalhadores criticam, de seu lado, as medidas de ajuste e austeridade que Rousseff e seu ministro da Economia est\u00e3o implantando. Tudo isso, \u00e9 claro, mina a j\u00e1 abalada confian\u00e7a dos mercados, dos investidores estrangeiros e freia a demanda interna, aut\u00eantico motor econ\u00f4mico dos anos anteriores.</p>", "<p>O pr\u00f3prio FMI \u00e9 quem diz isso \u2014mesmo sendo pouco amigo de julgar politicamente os pa\u00edses que examina\u2014 em <a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/06/economia/1444108814_932817.html\">seu relat\u00f3rio sobre a Am\u00e9rica apresentado no dia 7 de outubro</a>, no qual reserva um espa\u00e7o para o caos brasileiro. Outro sinal a mais da singular import\u00e2ncia que teve o Brasil nesta reuni\u00e3o de Lima: \u201cHouve uma investiga\u00e7\u00e3o por corrup\u00e7\u00e3o de amplo alcance na principal empresa petrol\u00edfera do Brasil, a <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/petrobras/a/\">Petrobras</a>. Foram feitas den\u00fancias sobre irregularidades no financiamento da elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2014 e a avalia\u00e7\u00e3o do Tribunal de Contas coloca em d\u00favida as contas p\u00fablicas de 2014. Tudo isso detonou uma grande <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/c/9ee51b56a07c53428c6e49c56b289628/\">crise pol\u00edtica</a>\u201d. E conclui: \u201cA intera\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica com a <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/crisis_economica/a/\">crise econ\u00f4mica</a> levou \u00e0 incerteza e derrubou a confian\u00e7a dos consumidores e das empresas a n\u00edveis m\u00ednimos historicamente\u201d.</p>", "<p>O economista-chefe do <a href=\"http://brasil.elpais.com/tag/banco_mundial/a/\">Banco Mundial</a>, Augusto de la Torre, tamb\u00e9m se referiu na ter\u00e7a-feira ao Brasil e a sua incerteza pol\u00edtica: \u201c<a href=\"http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/07/economia/1444224526_134643.html\">Os dados macroecon\u00f4micos n\u00e3o explicam uma recess\u00e3o t\u00e3o profunda</a>\u201d.</p>"], | |
| "permalink": "http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/09/economia/1444383822_284626.html", | |
| "captured_at": "2015-10-12 10:31:54", | |
| "keyword": "crise" | |
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