Luiz Antônio Simas é um dos intelectuais brasileiros mais comprometidos com o que ele próprio chama de "saberes do terreiro" — um conjunto de filosofias, cosmologias e práticas que chegaram ao Brasil no corpo e na memória dos povos escravizados, e que resistiram à brutalidade colonial com uma vitalidade desconcertante. Filosofias Africanas não é um livro de folclore nem de antropologia distante: é um convite à descolonização do pensamento.
O ponto de partida do livro é radical: a existência não se realiza por si mesma. Diferente da tradição ocidental que coloca o indivíduo no centro — o famoso cogito ergo sum de Descartes —, as filosofias africanas propõem que o ser humano só se constitui plenamente em relação. O Ubuntu, filosofia de origem banto, sintetiza isso na frase "Sou porque somos". A comunidade não é o pano de fundo da vida; ela é a condição da vida.