Nas últimas décadas, o conceito de literacia financeira adquiriu crescente centralidade no discurso político e institucional, particularmente no âmbito das economias ocidentais e das orientações promovidas por organismos internacionais e pela União Europeia. A promoção da educação financeira é frequentemente apresentada como instrumento de capacitação individual, permitindo aos cidadãos gerir melhor o orçamento familiar, tomar decisões de investimento mais informadas e prevenir situações de sobre-endividamento.
Contudo, uma perspetiva crítica sustenta que o discurso da literacia financeira não pode ser analisado isoladamente das transformações estruturais associadas ao neoliberalismo e à financeirização da economia. Segundo esta abordagem, a valorização da responsabilidade financeira individual tende a deslocar para os cidadãos a gestão dos riscos económicos produzidos por políticas de liberalização financeira